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  • Oscar Freitas Jr.

Cerveja, um alimento sim!

Atualizado: 1 de Ago de 2020

A nossa relação com a cerveja não nos deixa perceber o que já é sabido em boa parte do mundo: Cerveja é um alimento, sim!


Claro que não estamos falando das cervejas tidas como stander, aquelas quase insípidas e inodoras que servem basicamente para matar a sede. Servido em temperatura baixíssima, eu, você ou quase ninguém consegue perceber o quão básica ela é. Alguns até dizem que é de origem alemã, mas vou lhes contar um segredo: não é bem verdade (mas isso eu conto uma outra hora). 


Estou falando das cervejas artesanais, daquelas que você vem conhecendo aos poucos e que vem tomando conta do mercado, principalmente na última década. Ela é um retrato do que vem acontecendo ultimamente com nossa relação com o alimento, antes tão pobre, hoje em busca de sabores e aromas que se identificam conosco.


Para se ter uma ideia, a mais antiga lei sobre tratado de alimento do mundo é sobre a cerveja. É a Reinheitsgebot, que na tradução alemã é Rein (puro), Reinheit (pureza) e Gebot (mandamento). A preocupação, a rigor, dos Regentes era preservar a saúde dos seu súditos, a cerveja já era um gênero alimentício básico, outra preocupação era com os ingredientes que comumente eram encontrados como plantas narcóticas, ou papoulas, assim como raspas de madeira e até ferrugem. Foi assinada em 1516, mas somente em 1906 ela se estendeu para toda a Alemanha. O interessante é que a lei original só constava lúpulo, malte e água, pois a levedura não havia sido “descoberta” ainda (muitos tratados viam como uma intervenção divina essa, para se ter uma idea).


Em toda a Europa a cerveja era e, até hoje é, tratada como um alimento. Não é raro, alguns alemães, na hora do almoço beberem um bom copo de cerveja em um biergaten* antes de retornarem ao trabalho revigorados.


A cerveja é uma fonte significativa de vitamina B, contém uma gama de minerais, principalmente o silício que, consumido moderadamente, reduz o risco de osteoporose. Além de conter anti-oxidantes, caso já comprovado como benéfico ao corpo humano. Os lúpulos possuem polifenóis que inibem o crescimento  de bactérias nocivas aos dentes, outro benefício do lúpulo está relacionado, por exemplo, a xantohumol, relacionado a prevenção a aterosclerose.


O consumo moderado da cerveja aliada a uma dieta de qualidade ajudam a ter uma qualidade de vida. Aliás, diga-se de passagem, uma comparação ao vinho, a cerveja tem as mesmas, senão melhores, relação com uma dieta saudável.


Na Idade Média, durante a Peste Negra, a cerveja fora responsável por salvar milhões de pessoas. Pois com a água contaminada, somente a cerveja, que passa por um processo de fervura e fermentação poderia ser consumido de forma segura. Os monges a usavam muito em tempos de jejum e ainda usam. Não é difícil encontrar cervejas saborosas produzidas pelos trapista, por exemplo.


Enfim, tratar a cerveja como um alimento, faz com que nós possamos rever nossa relação com ela e por consequência, a nossa relação com a comida.


Portanto, procurar essas identidades é encontrar aromas e sabores que nos alimentam como um todo, que nos fazem encontrar identidade com o alimento e, não mais, algo para nos mantermos em pé simplesmente. É algo que nos satisfaça plenamente.


* Biergaten. Na Alemanha, há espaços abertos com consumo de bebida e comida local. Muito comum na Baviera. Se popularizou por esse espaço ser bem democrático e no verão atrair muitas pessoas.


Texto: Oscar Freitas Jr.

Sommelier e Mestre em Estilos

Está a frente do Empório Homebrew, em Jaragua do Sul, SC

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